O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve, nesta quarta-feira (29), os juros de referência dos Estados Unidos (EUA) no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano.
A decisão, amplamente esperada pelo mercado, era a aposta majoritária para a reunião de abril, com 99,5% dos agentes do mercando prevendo manutenção pela manhã, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.
No comunicado, o Fed destacou que a atividade econômica segue avançando em ritmo sólido, enquanto o mercado de trabalho apresenta criação de vagas mais moderada e taxa de desemprego estável. A inflação, por sua vez, permanece elevada, refletindo, em parte, o aumento recente nos preços globais de energia.
A autoridade monetária também chamou atenção para o ambiente externo, afirmando que os desdobramentos no Oriente Médio têm elevado a incerteza sobre o cenário econômico, o que exige cautela na condução da política monetária.
O Comitê reiterou que continuará avaliando os dados econômicos, a evolução das perspectivas e o balanço de riscos antes de decidir por novos ajustes na taxa de juros. Além disso, reforçou o compromisso de levar a inflação de volta à meta de 2% e sustentar o máximo emprego.
“Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o Comitê continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas. O Comitê estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”, reiteraram.
Divisão no comitê
A decisão não foi unânime. Stephen Miran votou contra a manutenção e defendeu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros já nesta reunião.
Por outro lado, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan concordaram com a manutenção dos juros, mas divergiram da sinalização de um possível afrouxamento monetário no comunicado.
Próximos passos
Às 15h30 (horário de Brasília), o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva. O mercado deve buscar sinais mais claros sobre o timing de eventuais cortes de juros e a leitura da autoridade monetária sobre inflação e atividade.


