Violação da tornozeleira de Bolsonaro: o que já se sabe e o que falta descobrir

23 de novembro de 2025 |
11:10
Imagem: Reprodução

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A violação da tornozeleira eletrônica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), reconhecido pelo próprio, foi um dos motivos para a decretação de sua prisão preventiva, determinada no sábado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal ( STF).

A agentes da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seape), Bolsonaro relatou ter utilizado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento. O ex-presidente disse ter feito isso por “curiosidade”.

Ainda há dúvidas, no entanto, sobre a razão da atitude de Bolsonaro e do momento em que ela começou. Essas questões podem ser esclarecidas em uma manifestação que a defesa do ex-presidente terá que enviar ao STF.

Entenda a seguir o que já sabe e o que falta descobrir:

 

Danos

Um relatório enviado no sábado pelo Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime), vinculado à Seape, ao STF informa que “o equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Haviam marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe/fechamento do case”.

O documento registra que o próprio Bolsonaro “informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento”. O órgão também enviou um vídeo, divulgado pelo STF, que mostra o tornozeleira queimada e que registra, ao fundo, o diálogo entre Bolsonaro e a diretora adjunta do Cime, Rita Gaio.

— O senhor usou alguma coisa para queimar isso aqui?

— Meti ferro quente aí. Curiosidade.

— Que ferro foi? Ferro de passar?

— Não, ferro de solda.

 

 

Momento

Ainda não foi esclarecido o momento exato em que a ação de Bolsonaro começou. O alerta de violação da tornozeleira foi gerado às 0h07m de sábado. Entretanto, em diálogo com agentes, o ex-presidente afirmou que começou a usar o ferro de solda ainda no horário da tarde.

— Que horas o senhor começou a fazer isso, seu Jair? — questionou Rita Gaio.

— Lá pro final da tarde — respondeu Bolsonaro.

 

Motivo

Até agora, a única explicação para o episódio foi a “curiosidade” apontada por Bolsonaro. No sábado, Alexandre de Moraes deu prazo de 24h para a defesa do ex-presidente explicar o que ocorreu.

“Dessa maneira, determino que a defesa de Jair Messias Bolsonaro manifeste-se, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, sobre a violação do equipamento (“tornozeleira eletrônica”)”, ordenou o ministro.

No sábado, o advogado Paulo Cunha Bueno, que faz parte da equipe de defesa do ex-presidente, esteve na Superintendência da Polícia Federal (PF), onde ele está detido. Na saída, criticou a prisão, mas não quis comentar a violação da tornozeleira.

Fonte: Agência O Globo