‘Sell in May’: maio é o pior mês do ano do Ibovespa em 3 anos, mas será que é hora de ‘ir embora’?

1 de junho de 2026 |
06:10
Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli

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O velho ditado de Wall Street, “sell in May and go away” parece ter funcionado para o mercado brasileiro dessa vez. Pressionado por uma inflação mais persistente, ruídos políticos e um cenário externo adverso, o Ibovespa deve encerrar maio com queda próxima de 6%.

A não ser que haja uma grande virada antes do fechamento desta sexta-feira (29), esta será a maior baixa mensal do índice Ibovespa desde 2023, e o mercado já olha para o que pode esperar da bolsa em junho.

Quais fatores puxaram o Ibovespa pra baixo?

Conforme observa Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research, quem seguiu à risca o “velho mandamento” do mercado financeiro certamente se deu muito melhor do que quem insistiu com ações brasileiras na carteira no mês.

Isso porque o resultado do Ibovespa foi impactado por uma combinação de fatores que, para Hungria, têm servido como “um grande teste para a tese de investimento no país”.

Em menos de um mês, ele lista alguns pontos que impactarem o desempenho:

  • Duas leituras ruins de IPCA e IPCA-15, o principal termômetro da inflação brasileira e sua prévia, divulgados pelo IBGE no início e final de maio;
  • Revisões negativas para inflação e Selic no Boletim Focus;
  • Ruídos políticos relevantes, como pesquisas eleitorais e as discussões sobre o fim da escala 6×1 (com impactos potenciais em custos para diversas empresas listadas);
  • Resultados muito fortes das empresas de tecnologia, majoritariamente internacionais, que voltaram a ganhar atratividade relativa frente a companhias de países emergentes, especialmente em um contexto de guerra;
  • Forte saída do fluxo estrangeiro da bolsa de valores.

Além disso tudo, a pressão e indecisão sobre um possível acordo para o fim do conflito entre Estados Unidos e Irã, que impacta no preço do petróleo e gera inflação em diversos segmentos da economia, também fizeram “peso” na queda do índice.

Diante de todos esses fatores, Hungria acredita que “o retrato não é muito inspirador, e é nesses momentos que precisamos recorrer aos fundamentos e lembrar que ações não são pedaços de papel com valores arbitrários”.

Apesar do impacto do humor do mercado influenciando movimentos diários, o analista acha importante manter o foco nas empresas por trás de cada ticker. “São companhias que oferecem aos seus sócios uma participação nos lucros e – no caso das compounders – em seus ambiciosos projetos de crescimento”, afirma.

Em relatório em sua carteira de ações, o analista mostra como, mesmo em um contexto difícil, a maior parte das empresas recomendadas entregou resultados bastante dignos no 1T26.

Claro que o analista sabe que não é possível esperar um “grande alívio” no mercado enquanto não houver um sinal mais assertivo sobre o fim do conflito no Oriente Médio – que deve devolver o fluxo gringo aos mercados emergentes.

“Nesse meio tempo, seguimos com empresas que continuam fazendo a lição de casa e se posicionando para capturar em cheio uma eventual virada. No fim das contas, vender em maio pode até ter feito sentido neste ano. Mas eu não ficaria longe por muito tempo”, completa.

Para junho, o analista Ruy Hungria explica que as expectativas ainda estão muito concentradas no andamento da guerra.

“Se o conflito se encerrar o mercado vira rápido, o petróleo deve cair, expectativa de inflação volta a cair, com ajustes para baixo na expectativa da taxa Selic e o fluxo de investidores estrangeiros retorna”, lista Hungria.

Diante do horizonte no curto prazo ainda desafiador, o analista ressalta que os fundamentos de muitas empresas permanecem sólidos.

Fonte: MoneyTimes

Fonte: MoneyTimes