Reforma do IR acelera corrida por dividendos: empresas podem antecipar até R$ 85 bi

28 de novembro de 2025 |
09:42
Imagem: Freepik

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A aprovação da reforma do Imposto de Renda pela Câmara dos Deputados em 1º de outubro e sua sanção presidencial em 26 de novembro desencadeou uma movimentação estratégica entre empresas brasileiras, ressalta a XP Investimentos.

A nova regra estabelece uma alíquota de 10% de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre dividendos mensais acima de R$ 50 mil pagos a pessoas físicas, mas preserva a isenção para lucros apurados até 31 de dezembro de 2025, mesmo que distribuídos até 2028.

Esse detalhe criou um incentivo poderoso: companhias estão antecipando anúncios de dividendos para aproveitar a janela de isenção. Até agora, nomes como Itaú (ITUB4), Vale (VALE3), Allos (ALOS3), Marcopolo (POMO4), Vulcabras (VULC3) e Azzas 2154 (AZZA3) já anunciaram distribuições que somam R$ 42,2 bilhões, sendo que as duas primeiras anunciaram na última quinta-feira.

 

Ticker Nome Setor Data de Anúncio Valor ($ mi) Yield Valor como % das reservas e lucros retidos
VULC3 Vulcabras Varejo 30-out R$ 590 10% 64%
ALOS3 Allos Propriedades Comerciais 12-nov R$ 1.900 13% 84%
POMO4 Marcopolo Bens de Capital 17-nov R$ 879 11% 36%
AZZA3 Azzas 2154 Varejo 17-nov R$ 180 3% 21%
ITUB4 Itaú Bancos 27-nov R$ 23.400 4,9% 94%
VALE3 Vale Mineração & Siderurgia 27-nov R$ 15.300 1,9% 4%

 

Analistas estimam que, considerando três cenários possíveis, o montante adicional pode variar entre R$ 42 bilhões e R$ 85 bilhões nas próximas semanas e meses.

A proposta em discussão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para estender o prazo de aprovação das distribuições até abril de 2026 ainda não foi votada, mantendo a urgência para as empresas.

Segundo especialistas, mesmo uma distribuição parcial do potencial identificado — que chega a R$ 170 bilhões em lucros retidos e reservas — pode gerar impactos relevantes no mercado. Uma antecipação de 25% desse valor representaria R$ 42 bilhões, enquanto 50% chegaria a R$ 85 bilhões, com yields estimados entre 6,8% e 13,5%.

Com o novo regime tributário prestes a entrar em vigor, investidores e companhias monitoram de perto os próximos movimentos.

“A corrida pelos dividendos extraordinários promete ser um dos principais catalisadores do mercado brasileiro até o fim de 2025”, avalia.

 

 

Potencial de dividendos

A XP também estima o potencial total de distribuição de dividendos das empresas brasileiras olhando para o setor, agregando os valores de reservas de lucros e lucros retidos das companhias sob a sua cobertura. Esse exercício resulta em um potencial de distribuição — caso as empresas distribuíssem integralmente suas reservas de lucros e lucros retidos — de R$ 614,8 bilhões, equivalente a um dividend yield de 22,1%. Na análise setorial, Commodities e Defensivos se destacam, com potenciais dividend yields de 27,3% e 29,0%, respectivamente.

Ao fazer uma análise, eles apontam quem poderia antecipar pagamentos de dividendos em níveis atrativos, resultando em uma lista de 25 empresas.

 

O filtro aplicou os seguintes critérios:

1. Dívida Líquida/Ebitda esperado para 2025 abaixo de 2 vezes;

2. Payout esperado para 2025 acima de 0;

3. Histórico de pagamento de pelo menos um dividendo por ano, em média, nos últimos cinco anos;

4. Probabilidade média ou alta de antecipação de dividendos, conforme avaliação dos nossos analistas setoriais;

5. Reservas de lucros e lucros retidos suficientes para gerar um dividend yield potencial de pelo menos 10%.

 

Empresas com alto potencial para antecipar pagamento de divendos em níveis atrativos antes do final de 2025

 

Ticker Setor Prob. de pag. de dividendos Distribuição potencial (R$ mi) Yield potencial Div. Líq./EBITDA Payout 2025E Nº médio de pag. de dividendos
USIM5 Mineração & Siderurgia Médio 7.348 110,2% 0,4 4,3% 1,4
GGBR4 Mineração & Siderurgia Alto 24.128 68,1% 0,9 27,4% 4,4
RECV3 Óleo & Gás Médio 1.643 53,5% 1,0 32,7% 1,6
EZTC3 Construção Civil Alto 2.033 48,4% -0,1 28,8% 3,2
CYRE3 Construção Civil Alto 5.781 45,5% 0,4 22,0% 1,4
SOJA3 Agro Médio 506.000 43,9% 1,8 78,3% 1,4
GUAR3 Varejo Alto 2.305 42,4% 0,4 15,9% 1,8
RANI3 Papel & Celulose Médio 697.000 36,0% 1,7 49,4% 5,0
UGPA3 Óleo & Gás Médio 8.426 35,0% 2,0 33,0% 2,0
IGTI11 Prop. Comerciais Médio 1.395 34,8% 1,6 33,1% 1,4
ABEV3 Alimentos & Bebidas Médio 58.647 27,4% -0,8 87,1% 1,8
MILS3 Transportes Médio 777.000 26,8% 1,4 70,5% 3,6
KEPL3 Bens de Capital Médio 421.000 26,0% -0,4 92,5% 3,0
VITT3 Agro Médio 167.000 25,1% 0,4 25,0% 1,8
AXIA3 Elétricas Médio 32.787 23,2% 1,4 255,1% 1,6
EVEN3 Construção Civil Médio 350.000 22,2% 1,8 50,0% 1,6
UNIP6 Óleo & Gás Alto 1.256 19,8% 0,8 204,3% 3,2
TIMS3 TMT Médio 10.778 18,0% 0,9 107,1% 4,6
VIVA3 Varejo Médio 1.309 16,5% 0,0 9,1% 1,4
MELK3 Construção Civil Médio 116.000 15,2% -1,1 60,0% 2,8
LAVV3 Construção Civil Alto 447.000 14,0% 0,5 40,0% 3,4
PNVL3 Varejo Médio 189.000 13,9% 0,5 21,8% 2,8
B3SA3 Inst. Financeiras Médio 7.815 10,8% 0,3 64,4% 4,8
DIRR3 Construção Civil Alto 1.007 10,6% 0,3 149,1% 1,8
Total 170.327 27,1% 0,5 89,9% 2,6

 

O filtro da XP aponta para uma capacidade potencial de distribuição de R$ 170,3 bilhões, o que se traduziria em um dividend yield potencial de 27,1%. Além disso, as empresas incluídas na lista apresentam níveis de alavancagem bastante confortáveis, com uma Dívida Líquida/Ebitda agregada estimada para 2025 de apenas 0,5 vez.

“Naturalmente, é pouco provável que as companhias distribuam todo o seu potencial. Ainda assim, mesmo cenários de distribuição parcial implicam rendimentos relevantes: uma distribuição de 25% do valor potencial resultaria em um yield de 6,8%; uma distribuição de 33%, em um yield de 8,9%; e uma distribuição de 50%, em um yield de 13,5%”, aponta a equipe de estratégia.

Fonte: InfoMoney