A sessão desta quinta-feira (18) tem como destaque a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de novembro nos Estados Unidos, às 10h30, indicador fundamental calibrar as expectativas em relação à trajetória dos juros pelo Federal Reserve (Fed). O consenso LSEG prevê alta anual de 3,1%, mantendo-se acima da meta de 2% do Fed. No entanto, os dados podem ser menos confiáveis do que o habitual devido às interrupções causadas pela paralisação do governo. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego também estão no radar, com previsão de 225 mil solicitações.
Mais cedo, o foco se volta para a Europa, com as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE), às 9h, e do Banco Central Europeu (BCE), às 10h15. As coletivas de imprensa do presidente do BoE, Andrew Bailey, e da presidente do BCE, Christine Lagarde, devem ajudar a esclarecer o tom das autoridades diante do cenário de inflação e atividade na região. No fim do dia, o Banco Central do México também anuncia sua decisão de juros, reforçando a atenção ao ciclo monetário em economias emergentes.
No Brasil, a principal referência do dia é a divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central referente ao quarto trimestre, às 8h, documento que detalha a avaliação da autoridade monetária sobre inflação, atividade econômica e balanço de riscos. Às 11h, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, concede coletiva de imprensa para comentar o relatório. Além disso, ocorre a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe jornalistas em café da manhã, enquanto o Congresso vota, ao meio-dia, o projeto de Orçamento de 2026, tema central para a percepção de risco fiscal. À tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também se reúne com jornalistas, o que mantém o noticiário econômico e fiscal no radar dos investidores.
Na véspera, o Ibovespa fechou em queda com a ausência de sinais claros sobre taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de receios envolvendo o cenário eleitoral de 2026 avalizando novo movimento de realização de lucros, após fortes ganhos acumulados na bolsa em 2025.
Por trás do movimento está a percepção de que a opção por Flávio sepulta a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome preferido do mercado, potencialmente favorecendo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na terça-feira, o mercado já havia reagido na esteira de uma pesquisa Genial/Quaest, que mostrou Lula bem colocado na disputa presidencial em relação a seus adversários de direita. Em um dos cenários estimulados do levantamento, Lula obteve 41% das intenções de voto em primeiro turno para presidente, com Flávio com 23% e Tarcísio com 10%. Lula venceria todos os oponentes em um eventual segundo turno.
Os temores em relação a Flávio foram intensificados nesta quarta-feira, após nota do site Metrópoles informar no início do dia que o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, disse a integrantes do mercado que Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo e que Flávio deve mesmo disputar o Planalto.
Por sua vez, Flávio embarcou para São Paulo no início da tarde para novo encontro com representantes do mercado, dando continuidade ao esforço de aproximação com a Faria Lima.
“Com Flávio forte (à frente de Tarcísio), Lula tem mais chance de ganhar a eleição. Então, sem solução para o fiscal para os próximos cinco anos”, comentou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao justificar a abertura firme da curva brasileira pela manhã.
O movimento reduziu as apostas de que o Banco Central cortará a taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano, em sua reunião de janeiro. Durante a tarde, a curva precificava pouco mais de 40% de chance de redução de 25 pontos-base no próximo mês, pontuou a analista Laís Costa, da Empiricus Research. Na véspera, o percentual estava em 65%.


