Ibovespa perde fôlego após se aproximar dos 200 mil pontos: é só “correção natural”?

23 de abril de 2026 |
10:33
Imagem: Divulgação/B3

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Após se aproximar dos 200 mil pontos, o Ibovespa amarga dias sem fôlego para uma alta expressiva e retoma dúvidas dos investidores sobre se o índice terá forças para atingir esse patamar histórico no curto prazo. O benchmark da Bolsa atingiu a máxima intradiária no dia 14 de abril, a 199.355 pontos, fechando a sessão da última quarta-feira (22) a 192.889 pontos, uma queda de mais de 3% em relação às máximas, e com uma mínima de 192.687 pontos.

De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa está em um processo de realização de lucros e encontrará suportes em 188.100 e 184.300 pontos, que mantêm o índice em tendência de alta no curto prazo.

“Em caso de retomada, a máxima deixada em 199.354 pontos é o gatilho para a retomada do movimento de alta em busca da marca dos 200 mil pontos”, afirmaram no relatório Diário do Grafista, ressaltando, contudo, que as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã seguem cercadas de incertezas.

A Ágora Investimentos também aponta que a queda do índice na última quarta, mais expressiva em 1,65%, foi um movimento que aprofunda o processo de correção após a forte sequência recente de altas. A queda leva o índice novamente à região de suporte em torno dos 192.600 pontos, nível técnico relevante.

“Apesar do ajuste mais intenso, a leitura ainda se encaixa como correção dentro de uma tendência de alta, com o mercado testando a capacidade de sustentação dos suportes após operar em patamar mais esticado”, reforça.

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, “parece uma correção normal, e possivelmente com algum nível de saída de estrangeiro”. acrescentou Pedroso.

Números da B3 mostram saída líquida de capital externo da bolsa paulista no final da semana passada. Até o dia 15, abril registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. No acumulado até o dia 17, esse saldo passou para R$11,5 bilhões.

Para o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, na véspera, a bolsa também refletiu uma reprecificação mais estrutural de risco, com o Brasil descolando do exterior e reagindo a fatores próprios, principalmente juros e percepção fiscal.

“A alta do petróleo, impulsionada pela instabilidade geopolítica, recoloca pressão inflacionária no cenário global e contamina diretamente a curva de juros, o que explica a queda mais intensa em bancos e ativos domésticos”, pontuou.

Contudo, olhando mais à frente, analistas seguem vendo a tese de ações para a Bolsa brasileira como construtiva, ainda que vendo menos potencial de valorização após os ganhos de cerca de 20% do benchmark da Bolsa no ano.

Na véspera, o Bank of America elevou a projeção para o Ibovespa ao fim deste ano de 180 mil pontos para 210 mil pontos – alta de quase 9% em relação ao fechamento desta quarta-feira (22).

Os estrategistas apontaram o desempenho positivo da América Latina – com destaque para o Brasil – em meio ao conflito no Oriente Médio e classificaram o país como overweight, mas apontaram que a bolsa brasileira não está mais barata – um dos principais argumentos usados pelos analistas para explicar o rali do Ibovespa nos últimos meses.

O JPMorgan, que projetava o Ibovespa aos 190 mil pontos no fim do ano, destacou recentemente que o índice pode ir a 230 mil pontos. Contudo,  o banco reconhece que o ambiente tende a se tornar mais desafiador com a proximidade das eleições.

Historicamente, períodos eleitorais costumam elevar a volatilidade, e a expectativa de uma disputa apertada reforça esse risco. Por outro lado, a aceleração do ciclo de afrouxamento monetário pode ajudar a amortecer parte desse movimento.

 

Fonte: InfoMoney

Fonte: InfoMoney