Guilherme Cunha entrevista Alexandre Viotto, chefe da mesa de câmbio da EQI Investimentos, sobre o cenário do dólar no Brasil, com foco no início de 2025.
Principais pontos da conversa:
- Volatilidade Cambial em 2024 e Atuação do Banco Central: Viotto destaca a alta expressiva do câmbio em 2024 e a importância da atuação do Banco Central para conter essa alta. Ele menciona que, sem as intervenções, o dólar poderia ter ultrapassado a marca de R$7.
- Cenário Pré-Posse: Os dois discutem a tensão pré-posse e a similaridade com o cenário de 2016, com dólar e commodities em alta simultaneamente, um fenômeno incomum. Viotto explica que esse cenário se deve à expectativa de aumento dos gastos públicos e obras de infraestrutura, o que impulsiona os preços das commodities. Ele cita o índice DXY (que mede o valor do dólar em relação a uma cesta de moedas) e o índice CRB (que mede o preço das commodities) como indicadores importantes.
- Intervenção do Banco Central e seu Impacto: Viotto explica o mecanismo de intervenção do Banco Central no mercado cambial, injetando dólares para conter a alta da moeda. Ele estima que a cada US$500 milhões injetados, o câmbio tende a recuar cerca de 1 centavo. Ele menciona que o Banco Central injetou um volume significativo de dólares no mercado no final de 2024, o que ajudou a segurar o câmbio. Eles concordam que, sem a intervenção, o dólar poderia estar em patamares muito mais altos, possivelmente acima de R$6,50 ou até mesmo R$7.
- Analogia da “Bolsa Disney”: Cunha utiliza a expressão “bolsa Disney” para se referir à política de manter o dólar em um patamar que facilite viagens internacionais, mesmo que isso implique em gastos com reservas.
- Dificuldade de Previsão Cambial e a Necessidade de Hedge: Viotto concorda com a dificuldade crescente de prever o câmbio no Brasil. Ele compara a atuação do Banco Central brasileiro com a de outros países, como Peru e Turquia, que possuem políticas cambiais mais claras e previsíveis. Ele critica a “flutuação suja” do câmbio no Brasil, onde o Banco Central pode intervir a qualquer momento sem regras claras. Ele enfatiza a importância de as empresas e investidores adotarem uma política de hedge para se proteger da volatilidade cambial, ao invés de simplesmente “rezar” para o dólar cair.
- Estratégias de Hedge: Viotto explica que o mercado futuro de dólar é muito maior que o mercado à vista, influenciando fortemente a cotação. Ele destaca a importância de analisar a posição comprada e vendida na B3 para entender o sentimento do mercado. Ele menciona diversas ferramentas de hedge, como NDFs, opções e swaps, mas enfatiza que a escolha da ferramenta deve ser feita com base em uma estratégia clara e no problema específico que se deseja resolver.
- Lucro do Banco Central com Venda de Dólar: Viotto confirma que o Banco Central obtém lucro ao vender dólares comprados a preços mais baixos no passado. Ele explica que esse lucro contribui para o resultado fiscal do governo. No entanto, ele ressalta a importância das reservas internacionais como um “mal necessário” para a estabilidade do país, comparando-as aos eletrodomésticos essenciais em uma casa. Ele defende a recomposição das reservas, mesmo que isso tenha um custo.
- Cenário para as Reservas e Atuação Futura do Banco Central: Eles concordam que o Banco Central deve recompor as reservas no futuro. Cunha menciona que o Banco Central comprou dólares a R$4,80 recentemente, o que indica a possibilidade de novas vendas no futuro para realizar lucro.
- Eventos Econômicos da Semana: Viotto destaca a importância de acompanhar o CPI americano, o IBC-Br (PIB brasileiro) e o GP10, além de possíveis declarações que possam impactar o mercado.
Opinião sobre a conversa:
A conversa entre Cunha e Viotto é muito informativa e aborda diversos aspectos relevantes sobre o cenário cambial no Brasil. A explicação sobre a atuação do Banco Central, a comparação com outros países, a ênfase na necessidade de hedge e a discussão sobre as reservas internacionais são pontos muito positivos. A analogia da “bolsa Disney” e a comparação das reservas com os eletrodomésticos tornam conceitos complexos mais acessíveis. A conversa é fluida e didática, com um tom informal que facilita o entendimento.
Pontos a considerar:
- A conversa foca principalmente no curto prazo e na volatilidade cambial, sem aprofundar muito em análises de longo prazo ou em fatores estruturais que influenciam o câmbio.
- Apesar de mencionar diversas ferramentas de hedge, a conversa não detalha o funcionamento de cada uma delas, o que pode dificultar a compreensão para investidores menos experientes.
No geral, a conversa oferece um conteúdo valioso para investidores e para o público em geral que deseja entender melhor o cenário cambial no Brasil. A clareza das explicações e a abordagem abrangente tornam a conversa muito proveitosa.


