Eai Invest – Raio-X da Bolsa 2026: Os setores que ganham com o corte de juros e como blindar a carteira das eleições

29 de dezembro de 2025 |
16:02
Imagem: Eai Invest

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Com a Selic projetada para romper a barreira dos 13% e buscar os 10% ao longo dos próximos 24 meses, a dinâmica da B3 sofre uma inversão completa. Sai de cena o investidor que “vive de renda” e entra o estrategista que busca o Custo de Capital menor.

Contudo, o “ano de urna” impõe uma regra de ouro: nem todo setor que sobe com juros baixos aguenta o tranco de uma eleição polarizada. Confira abaixo os setores favoritos de analistas para 2026.

 

1. Varejo e Consumo Discricionário: A Alavancagem a seu Favor

Este é o setor mais sensível à Selic. Quando os juros caem, o crédito fica mais barato para o consumidor e as dívidas das empresas (geralmente altas no setor) custam menos.

Por que investir: Empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí (ASAI3) tendem a registrar saltos no lucro líquido apenas pela redução das despesas financeiras.

O Risco Eleitoral: O varejo depende da confiança do consumidor. Promessas populistas podem gerar um “rali” de curto prazo, mas o medo de inflação pós-eleição pode frear o consumo.

 

2. Construção Civil e Real Estate: O Retorno do Tijolo

Com financiamentos imobiliários mais acessíveis, a demanda por novos imóveis tende a explodir.

Destaques: O mercado olha com atenção para Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), que operam em segmentos com forte demanda habitacional (como o Minha Casa, Minha Vida), programa que costuma ser “blindado” ou até ampliado em anos eleitorais por seu apelo social.

Fundos Imobiliários (FIIs): O IFIX tende a performar bem, especialmente os fundos de tijolo (shoppings e logística), à medida que investidores migram da renda fixa para a renda variável em busca de dividendos maiores que o CDI.

 

3. Utilities (Energia e Saneamento): O Porto Seguro

Se o cenário político “azedar”, as utilidades públicas são o melhor refúgio. São empresas com receitas previsíveis, corrigidas pela inflação e menos dependentes do ciclo econômico.

Estratégia: Nomes como Equatorial (EQTL3) e Sabesp (SBSP3) — agora privatizada — são vistas como “bond proxies” (ações que agem como títulos de renda fixa). Elas se beneficiam dos juros baixos para refinanciar dívidas de investimentos em infraestrutura, mas mantêm a resiliência se o Ibovespa cair.

 

 

4. O “Kit Eleições”: Estatais e Bancos

Historicamente, o mercado monitora o que chama de “Kit Eleições”, focado em empresas que podem sofrer intervenção ou mudança de gestão.

Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3): Costumam apresentar maior volatilidade. Investidores buscam essas ações quando o candidato favorito do mercado lidera as pesquisas, mas saem rapidamente em momentos de incerteza fiscal.

Bancos Privados: Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) tendem a ser mais resilientes. Com juros menores, o volume de crédito cresce e a inadimplência tende a cair, favorecendo os balanços.

 

Tabela de Sensibilidade: Selic vs. Eleições

Setor Sensibilidade à Selic Risco Político Veredito para 2026
Varejo Alta (Positiva) Médio Compra tática (curto prazo)
Construção Alta (Positiva) Baixo Favorito para crescimento
Elétricas Média Baixo Essencial para defesa
Bancos Média Alto (Estatais) Foco nos privados para segurança
Exportadoras Baixa (Depende do Dólar) Médio Proteção contra desvalorização do Real

 

A visão dos especialistas

“Em 2026, o investidor não deve tentar ‘adivinhar’ o vencedor da eleição, mas sim montar uma carteira que se beneficie do ciclo de queda de juros, que é técnico, mantendo uma proteção em dólar e ativos defensivos para suportar o ruído de Brasília”, afirma um estrategista-chefe consultado pela nossa redação.

Fonte: Eai Invest