O dólar à vista opera em forte alta frente ao real nesta sexta-feira (15), refletindo a aversão global ao risco em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã. A alta do petróleo reforça os temores inflacionários e aumenta as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros até o fim do ano. No cenário doméstico, a percepção de maior risco político também contribui para a valorização da moeda norte-americana.
Qual a cotação do dólar hoje?
Às 10h30, o dólar à vista operava com alta de 1,24%, aos R$ 5,408. O dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — avançava 1,23% na B3, aos R$ 5,066.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,046
- Venda: R$ 5,408
O que aconteceu com dólar?
A moeda norte-americana sustenta ganhos ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação.
Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás.
Neste manhã, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando.
Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã não tem “nenhuma confiança” nos EUA e se interessa em negociar com Washington somente se for sério.
O cenário geopolítico turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, mas o real era a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão.
Isso porque, além do exterior, os investidores seguem atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro.
Na quarta-feira, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio negociou com Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou a reportagem do Intercept.
No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula, por sua vez, é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.
(Com Reuters)
Fonte: InfoMoney


