Dado de emprego forte nos EUA derruba Bitcoin ao menor nível desde outubro de 2024

5 de junho de 2026 |
11:26
Imagem: Reprodução/CoinGecko

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O Bitcoin (BTC) voltou a cair nesta sexta-feira (5) e opera a cerca de US$ 61.700, menor patamar desde 10 de outubro de 2024. A criptomoeda chegou a recuar 3,9% na mínima do dia, para pouco acima de US$ 61 mil, o mais baixo desde 10 de outubro de 2024, e ameaçando testar o patamar considerado crítico de US$ 60 mil.

O gatilho de queda mais recente foi o payroll de maio dos Estados Unidos, que mostrou a criação de 172.000 vagas de emprego, mais que o dobro da estimativa de consenso do mercado, de 80.000 a 85.000. Um mercado de trabalho mais aquecido que o esperado reduz as chances de que o banco central americano (Fed) corte os juros nas próximas reuniões, o que pressiona ativos de risco como as criptomoedas.

O Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, sofreu uma queda ainda mais intensa: chegou a recuar mais de 8% no dia, para US$ 1.625, seu menor nível desde abril de 2025, e operava próximo de US$ 1.665. No acumulado dos últimos sete dias, o Bitcoin perde 15,6% e o Ether, 17,3%.

O Bitcoin acumula sua mais longa sequência de perdas desde agosto de 2025, iniciada na segunda-feira (2) após a Strategy divulgar a venda de uma pequena quantidade de Bitcoins pela primeira vez desde 2022. Desde então, a saída contínua de recursos dos fundos de investimento em Bitcoin negociados em bolsa nos Estados Unidos e o descolamento em relação às bolsas americanas, que seguem renovando máximas históricas impulsionadas pela euforia com inteligência artificial, corroem a confiança dos investidores no mercado cripto.

“O nível de US$ 60 mil foi um forte suporte em fevereiro e a última vez que foi visto foi em 2024, antes da eleição de Trump, então uma ruptura clara vai ser prejudicial”, afirmou Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, em declaração à Bloomberg.

A divergência entre o mercado cripto e as bolsas americanas também chama atenção dos analistas. “À medida que o capital global continua fluindo para ações de inteligência artificial e tecnologia de grande capitalização, os ativos digitais precisam competir com esses setores de alto crescimento pela alocação dos investidores”, disse Dean Chen, analista da corretora Bitunix, também à Bloomberg.

Pressão de dentro e de fora

Dados de comportamento na blockchain reforçam o quadro de pressão vendedora. As perdas realizadas no mercado agregado saltaram para US$ 1,3 bilhão por dia com o Bitcoin na região dos US$ 62 mil, segundo análise de Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vaul Capital. Detentores de longo prazo responderam por cerca de US$ 770 milhões desse total, ou 59% das vendas, o que sugere que investidores que compraram próximo do topo do ciclo e seguraram a posição durante a queda estão agora realizando prejuízo.

Outro sinal de alerta vem dos grandes investidores, conhecidos no mercado como “baleias”. Os depósitos de Bitcoin na Binance, maior exchange do mundo, dobraram ao longo da semana: foram cerca de 8.200 BTC enviados à plataforma no dia 2 de junho e mais de 6.400 BTC no dia 4, ante uma média mensal de 1.200 BTC desde meados de abril. Movimentos desse tipo costumam indicar intenção de venda, já que os investidores transferem os ativos para a corretora antes de negociá-los.

A Vault Capital, porém, pondera que a leitura não é unidirecional. A última vez que os depósitos de baleias atingiram esse nível foi durante a queda abaixo de US$ 60 mil em fevereiro, episódio que marcou um fundo local antes de uma recuperação. O mesmo dado que aponta pressão vendedora pode também estar sinalizando exaustão do movimento de queda.

O que observar agora

No campo técnico, o nível de US$ 60 mil emerge como o principal ponto de atenção do mercado. Um fechamento abaixo desse patamar abriria espaço para quedas mais expressivas em direção à faixa entre US$ 55 mil e US$ 58 mil, de acordo com Camargos. Por outro lado, uma recuperação que sustente o Bitcoin acima de US$ 65 mil ao fim da semana seria o primeiro sinal de estabilização.

Análise técnica publicada pelo InfoMoney nesta sexta reforça a mesma leitura. “Enquanto isso não ocorrer, sigo interpretando o cenário técnico como predominantemente baixista, com o mercado concentrando suas atenções na defesa da importante faixa dos US$ 60 mil”, escreveu o analista Rodrigo Paz.

O mercado olha ainda para a reunião do Fed marcada para os dias 16 e 17 de junho, primeira sob o comando do novo presidente Kevin Warsh. O payroll forte desta sexta reduz as chances de um corte de juros no encontro, mas o tom da comunicação do banco central americano deve definir o apetite por risco nas semanas seguintes.

 

 

Fonte: InfoMoney

Fonte: InfoMoney