BradSaúde (SAUD3) estreia na bolsa com resultados de encher os olhos; ação sobe

5 de maio de 2026 |
15:24
Imagem: Divulgação

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Bradsaúde bateu o sininho da B3 e está oficialmente na bolsa. Após reportar lucro de R$ 1,3 bilhão, a nova gigante que reúne os ativos de saúde do Bradesco (BBDC4) animou investidores. Por volta das 11h36, o papel (SAUB3) subia 3,79%.

No resultado, é possível ver o quanto os outros ativos agregaram à Odontoprev: do total do lucro, R$ 1,157 bilhão são provenientes das demais operações do grupo, enquanto apenas R$ 150,6 milhões vêm dos convênios odontológicos (Odontoprev).

Mais do que o resultado, a empresa reportou um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, em português) de 24%. Entre analistas, o resultado também foi bem recebido.

De acordo com o BTG, apesar da divulgação ainda limitada em algumas linhas, o resultado foi sólido. Mesmo sem ter publicado prévia formal, os analistas dizem que o número veio acima do consenso, especialmente considerando a parcela relevante do resultado anual já capturada no trimestre.

“Historicamente, a companhia gera aproximadamente 27% do lucro anual no 1T, mas o resultado atual representou cerca de 32% da nossa estimativa para 2026, de R$ 4,1 bilhões, sugerindo viés positivo para revisões do consenso”.

Sinistralidade, ponto de cautela?

A sinistralidade é sempre um ponto olhado com lupa pelo mercado. Basicamente, mede o equilíbrio do contrato: quanto maior o uso pelos beneficiários, maior a sinistralidade e maior a chance de reajuste no valor do plano.

No caso da Bradsaúde, houve melhora de 140 pontos-base no indicador, o que, segundo o BTG, pode trazer revisões positivas para as estimativas, que assumem estabilidade na sinistralidade em 2026.

Apesar disso, a própria administração ressaltou que a queda pode estar relacionada à sazonalidade. Isso porque, no primeiro trimestre, os beneficiários dão preferência para ir ao médico após o Carnaval.

“No início do ano, muitos clientes ainda estão em período de férias, viajando e organizando suas finanças. Além disso, há o Carnaval, quando as pessoas tendem a postergar consultas e tratamentos médicos para depois do feriado — o que acaba concentrando a demanda nos meses seguintes”, destaca.

Além disso, no período há ainda um “bônus”: parte dos sinistros ocorridos a partir de meados de dezembro não entra imediatamente na conta. Isso gera uma menor utilização tanto no fim quanto no começo do ano.

Por outro lado, a empresa acompanha a evolução da sinistralidade com bastante cautela para 2026. “Já comentamos anteriormente que houve, no segundo semestre de 2025, uma aceleração tanto na frequência quanto no custo médio por atendimento”.

Para a companhia, esse movimento exige atenção, pois pode pressionar os indicadores ao longo dos próximos períodos.

“Temos iniciativas em andamento para entender melhor essa dinâmica e atuar onde for possível, mas, como mencionei, a postura segue sendo de cautela em relação à sinistralidade em 2026”, afirma o CEO, Carlos Marinelli.

Odontoprev: Resultados mais fracos?

Outro ponto de atenção para os analistas foram os resultados da própria Odontoprev. O lucro caiu 10%, para R$ 150 milhões, refletindo deterioração do resultado financeiro.

Para o Safra, a taxa de sinistralidade odontológica (DLR) muito menor foi mais do que compensada por um aumento acentuado das despesas. Seja como for, para a casa trata-se de uma natureza materialmente não recorrente devido à combinação de negócios.

Em coletiva com jornalistas, a administração disse que houve dois fatores que ajudam a explicar a queda. O primeiro é a própria operação de transformar a Odontoprev em Bradsaúde, já que houve contratação de assessores financeiros e jurídicos.

O outro fator foi a redução da receita financeira.

Isso se explica, principalmente, pelo pagamento expressivo de dividendos e juros sobre capital próprio realizado em dezembro, no valor de aproximadamente R$ 410 milhões. Como consequência, o caixa médio no primeiro trimestre foi menor.

“Com um estoque de caixa reduzido, a receita financeira ficou abaixo do registrado no mesmo período do ano passado”.

O que fazer com Bradsaúde

Na visão do BTG, os resultados foram positivos, mesmo com limitações.

“O período reforça pontos-chave da tese, como melhora consistente na sinistralidade, expansão da base de beneficiários e contribuição inicial positiva da vertical hospitalar”.

Os analistas reiteraram a recomendação de compra, destacando o posicionamento estratégico da companhia na cadeia de saúde privada, atuando como consolidadora via parcerias com players relevantes.

A ação negocia a aproximadamente 12x P/L (preço sobre lucro) para 2026 e 11x P/L para 2027, com potencial de revisão positiva nas estimativas diante do momento operacional mais forte.

 

Fonte: MoneyTimes

Fonte: MoneyTimes