As ações da Americanas (AMER3) abriram o pregão desta quinta-feira (26) em disparada de mais de 20%, após a companhia reduzir o prejuízo para R$ 44 milhões no quarto trimestre de 2025 e entrar com o pedido de saída do processo de recuperação judicial (RJ).
Três anos depois de protagonizar um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais, a companhia apresentou a solicitação ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a varejista, houve o cumprimento de todas as obrigações com vencimento até dois anos após a homologação do Plano de Recuperação Judicial. O pedido também abrange as empresas B2W Digital Lux S.À.R.L, JSM Global S.À.R.L e ST Importações Ltda., que integram o Grupo Americanas.
O rombo, inicialmente estimado em R$ 25,2 bilhões, derrubou em poucos dias uma das mais tradicionais varejistas brasileiras, provocando a saída imediata da antiga diretoria, a derrocada das ações na bolsa e, pouco depois, o pedido de recuperação judicial.
O episódio também expôs fragilidades profundas na governança corporativa da empresa e levantou questionamentos sobre a atuação de auditores, bancos e órgãos de fiscalização.
Em teleconferência de resultados, o CEO da Americanas, Fernando Soares, destacou que a efetivação da saída ainda depende da aprovação da Justiça, mas celebrou o passo, que, segundo ele, representa um marco para a companhia.
Por volta de 12h25 (horário de Brasília), as ações AMER3 saltavam 18,64%, cotadas a R$ 6,11. Na máxima do dia, até este horário, o avanço chegou a 21,94%. Acompanhe o tempo real.
De acordo com Soares, três pilares viabilizaram o pedido de saída da RJ nesse momento.
O primeiro deles é, justamente, o cumprimento das obrigações previstas no plano. Sebastien Durchon, CFO da Americanas, destacou na teleconferência que o pagamento de diversos fornecedores ocorreu à vista ainda em 2024 e até 2028 os parcelamentos neste sentido serão pagos.
Somado a isso, Soares destacou a execução do plano de transformação operacional e estratégico da Americanas, que mantém a loja física como core da companhia.
Por fim, o executivo pontuou como terceiro pilar o encerramento de 2025 com números consistentes, com caixa maior do que a dívida, resultado líquido positivo e resultado operacional na ordem de R$ 770 milhões.
Na estratégia de 2026 a 2029, a loja é apontada como aspecto chave e principal ponto de conexão com o consumidor.
O que dizem os analistas sobre a Americanas
A analista Caroline Sanchez, da Levante Inside Corp, destaca que o pedido de saída da recuperação judicial veio em um momento importante — isso por acompanhar um balanço que mostrou melhora relevante na operação.
“Vimos uma evolução operacional consistente, principalmente na comparação anual. A Americanas conseguiu reduzir de uma forma bastante expressiva o prejuízo e voltando a reportar um Ebitda positivo, resultado do processo de ajuste, corte de custos, fechamento de lojas menos rentáveis e foco no core físico deles”.
A analista destaca, no entanto, que essa melhora ainda vem muito mais de eficiência e ajustes de custos do que do crescimento. Ela avalia que a Americanas traz um balanço melhor, mas que ainda passa por uma fase de reconstrução. O top line, ou seja, o faturamento, ainda precisa provar que consegue crescer com a nova estrutura.
Ela avalia o pedido de saída da RJ como um passo natural, que evidencia o cumprimento do plano e afirma as condições de operar sem a proteção do mecanismo.
“Isso por si só tende a ser bem recebido pelo mercado, porque reduz uma camada relevante de risco, melhora a percepção de crédito e abre espaço para a empresa voltar aa cessar capital de uma forma mais estruturada”.
Na avaliação de Sanchez, esse aspecto pode funcionar como um catalisador de curto prazo para a ação, mas, chama atenção para o fato de que sair da RJ não resolve automaticamente os desafios estruturais da Americanas, especialmente em um cenário de juros elevados.
Por conta disso, a analista destaca que a postura ainda é de cautela, apesar da melhora no quadro geral da companhia.
4T25 da Americanas
O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 276 milhões, avanço de 1,9% sobre o quarto trimestre do ano anterior. Já a receita líquida de outubro ao final de dezembro caiu 3,8% no período, para R$ 3,69 bilhões, segundo o balanço.
As vendas brutas no conceito mesmas lojas apresentaram crescimento de 7,8% no quarto trimestre. A empresa encerrou 2025 com 1.470 lojas, sendo 906 convencionais e 564 “express”, ante 1.587 em 2024.
Atualmente, a varejista afirma que possui 44 milhões de clientes ativos, com uma média de 90 milhões de visitas mensais nas lojas físicas, site e aplicativo.
Este ano, a Americanas fez três inaugurações de lojas, todas no Nordeste: Aquiraz (CE), Aracaju (SE) e Camaçari (BA).
A Americanas também divulgou o resultado do processo competitivo para alienação judicial da UPI Uni.Co. Em audiência realizada na mesma vara, foram abertas as propostas apresentadas para a aquisição do ativo.
De acordo com a companhia, além da proposta vinculante da Fan Store Entretenimento S.A. (“BandUP!”), apresentada na condição de “stalking horse”, foi submetida uma proposta concorrente da Solver Soluções Críticas Ltda., com preço base de R$ 155 milhões — acima dos R$ 152,9 milhões ofertados pela BandUP! — incluindo R$ 70 milhões à vista e o restante em cinco parcelas.
No entanto, o Juízo da Recuperação Judicial considerou a proposta da Solver inválida por não atender aos requisitos do edital. Com isso, a proposta da BandUP! foi declarada vencedora do processo competitivo, após manifestações favoráveis do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da administração judicial.
Fonte: MoneyTimes


