Guilherme Cunha entrevista Alexandre Cracovsky, VP em fusões e aquisições (M&A) na Divisia, sobre o mercado de M&A e o cenário econômico para 2025.
Principais pontos da conversa:
- Apresentação de Alexandre Cracovsky: Cracovsky se apresenta como CFA Charterholder, professor de M&A e finanças na FK Partners e Link of Business, e VP na Divisia, atuando em assessoria para empresas em processos de fusões e aquisições.
- Mercado de M&A Pós-Pandemia: Eles discutem a onda de IPOs em 2021 e a subsequente redução do apetite por M&A devido à política monetária e ao cenário macroeconômico. Cracovsky compara o grande número de IPOs em 2021 com a quase ausência nos anos seguintes (2022-2024).
- Relação entre IPOs e M&A: Cracovsky explica que IPOs geram recursos para as empresas, que podem ser usados para crescimento orgânico ou inorgânico (aquisições). A ausência de IPOs impacta o mercado de M&A, pois as empresas precisam buscar financiamento via dívida, que se torna mais cara com a alta da Selic.
- Perspectivas para o Mercado de M&A em 2025: Cracovsky acredita que, apesar da Selic alta, alguns setores, como o de tecnologia, devem continuar ativos em M&A, pois seu crescimento independe tanto do ciclo econômico. Ele cita o exemplo da Stefanini, que realizou diversas aquisições. Ele também menciona um programa de M&A que apresenta na B3 News.
- Sentimento do Mercado e Alocação de Investimentos: Cunha pergunta sobre o sentimento do mercado e a alocação de investimentos. Cracovsky observa que a renda fixa no Brasil está atrativa, com IPCA + 6/7%, e que a bolsa brasileira está descontada, com diversas empresas em mínimas históricas. Ele considera o cenário bom para compradores com caixa disponível.
- Setores com Oportunidades: Cracovsky destaca alguns setores:
- Provedores de Internet: Empresas com consolidação ativa e múltiplos baixos.
- Varejo: Setor abalado, com empresas buscando fusões para reduzir custos. Ele cita a fusão entre Arezzo e Soma como exemplo, mas observa que o mercado ainda demonstra pessimismo. Ele menciona empresas como Casas Bahia e Magazine Luiza, que sofreram muito com a alta dos juros.
- Saúde: Setor defensivo, com tendência secular de crescimento devido ao envelhecimento da população.
- Estratégias para Investidores: Cracovsky sugere que investidores estrangeiros podem encontrar oportunidades com o dólar alto e ativos baratos no Brasil. Ele também menciona a possibilidade de empresas brasileiras abrirem capital nos Estados Unidos, aproveitando um mercado mais líquido. Ele enfatiza a importância de focar em setores anticíclicos, como tecnologia e saúde.
- Destaque Final sobre o Varejo de Marketplace: Cunha pergunta se há salvação para o varejo de marketplace e se existe a possibilidade de novas fusões. Cracovsky responde que a tese de reestruturação está ativa nas grandes empresas, principalmente no varejo. Ele reitera que há oportunidades com o dólar alto para investidores estrangeiros e que a janela de IPO nos EUA pode ser uma alternativa para empresas brasileiras.
Opinião sobre a conversa:
A conversa entre Cunha e Cracovsky é muito rica em informações sobre o mercado de M&A e o cenário econômico. A experiência de Cracovsky na área traz insights valiosos, especialmente sobre a dinâmica entre IPOs e M&A e as perspectivas para diferentes setores. A discussão sobre o sentimento do mercado e as estratégias para investidores também é muito relevante.
Pontos a considerar:
- A conversa foca principalmente no mercado de M&A e em investidores com maior capital, não abordando tanto as opções para pequenos investidores.
- Apesar de mencionar alguns setores, a conversa não aprofunda a análise de empresas específicas ou as particularidades de cada setor.
No geral, a conversa oferece um conteúdo muito interessante para quem acompanha o mercado financeiro e se interessa por M&A. A clareza das explicações e a experiência de Cracovsky tornam a conversa muito proveitosa.


