Voltaremos a discutir medidas fiscais em ‘dois ou três meses’ se necessário, diz Haddad

30 de novembro de 2024 |
10:39

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que a área econômica do governo voltará a discutir medidas fiscais se concluir que é necessário em “dois ou três meses”.

“Se dali a dois ou três meses, nós identificarmos riscos para essa trajetória, nós vamos ter que voltar para a mesa para verificar quais ajustes terão que ser feitos para manter essa trajetória”, disse o ministro em entrevista à Rede Record ao ser questionado se o governo cortou todos os gastos que conseguiria ou se os cortes ainda podem ser revisados no futuro.

O mercado aguardou com ansiedade o anúncio do pacote de corte de gastos desde antes das eleições municipais em outubro e as expectativas sobre o conteúdo das medidas têm afetado os ativos brasileiros nas últimas semanas.

Desde que o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou notícias da mídia de que a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até 5 mil reais mensais estava em discussão no governo, o dólar engatou uma série de recordes históricos e o Ibovespa registrou sua pior semana desde setembro nesta sexta-feira.

Questionado se ter anunciado o aumento da faixa de isenção do IR junto com as propostas fiscais foi responsável pelo estresse do mercado, Haddad lamentou o vazamento das medidas antes do momento certo, o que, segundo ele, provocou leituras equivocadas que misturara os dois temas.

O ministro frisou que casos de estresse no mercado como esse são causados por ruídos, que dependem de esclarecimentos ao longo do tempo e não são desfeitos de forma instantânea. “Por que o dólar recuou hoje? Em função das explicações que foram dadas”, afirmou, referindo-se a um momento de recuo das cotações.

Haddad destacou indicadores positivos, como o atual ritmo de crescimento econômico e o baixo índice de desemprego, mas reconheceu que a inflação está “saindo um pouquinho do trilho” e apontou as pressões inflacionárias sobre os preços dos alimentos, principalmente as carnes, como ponto de preocupação do governo.

 

Fonte: Reuters