Embraer: ação cai 28% desde as máximas; o que aconteceu e o que fazer com o ativo?

27 de maio de 2026 |
12:25
Imagem: REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo

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As ações da Embraer (EMBJ3) já caem cerca de 28% desde o pico em janeiro de 2026, desempenho 22 pontos percentuais (p.p.) abaixo dos pares globais de Aeroespacial e Defesa.

Para o Bradesco BBI, ese movimento excede, com folga, as revisões efetivas de fundamentos.

Os analistas do banco ressaltam que o mercado reagiu a uma sequência de eventos – guidance para 2026 abaixo do esperado, alta nos preços de combustível pressionando expectativas de demanda e resultados do 1T26 aquém do consenso – mas o ajuste no preço foi desproporcional.

Após o resultado do primeiro trimestre, o consenso de EBIT (lucro antes de juros e impostos) para 2026 recuou 8%, enquanto a ação caiu cerca de 15% no período; na estimativa do BBI, a revisão foi ainda mais limitada, de apenas 1%.

Além disso, o guidance de 2026 embutia premissas conservadoras, incluindo tarifas nos EUA que já não fazem mais parte do cenário, abrindo espaço para surpresas positivas.

“Por fim, eventuais oscilações no ritmo de pedidos no curto prazo são mitigadas por uma carteira de pedidos robusta —cerca de 5 anos na aviação comercial e 3 anos na executiva —garantindo visibilidade de crescimento e sustentação de resultados”, aponta.

Para o Bradesco BBI, a recente redução dos múltiplos de negociação criou uma oportunidade tática de entrada em uma tese estrutural de crescimento ainda intacta.

“A companhia combina alta visibilidade de receitas com múltiplos gatilhos de reprecificação no curto prazo, como potenciais novas encomendas (incluindo Defesa, com destaque para o C-390), anúncios em eventos relevantes do setor e recomposição de margens ao longo do ano, especialmente com a dissipação de efeitos pontuais observados no início de 2026”, avalia, apontando também vetores adicionais como possíveis reembolsos de tarifas já pagas e avanços no projeto Eve rumo à certificação em 2027.

O banco reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 110 por ação para o fim de 2026, com a ação negociando a cerca de 9,9 vezes o múltiplo EV (valor da firma)/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) esperado para 2026. O BBI vê desconto de aproximadamente 25% frente aos pares globais —patamar que considera atrativo diante do perfil de crescimento e geração de valor da companhia.

Em meados de maio, a XP Investimentos também havia destacado  que a recente queda nos papéis após o balanço do primeiro trimestre (1T26) é exagerada e abre uma oportunidade atrativa para investidores.

Os analistas da casa reiteraram a recomendação de compra das ações, com preço-alvo para o fim de 2026 em US$ 70,00/ADS (agora R$ 87,00/ação).

A XP minimizou o peso dos números reportados no início do ano, afirmando que os resultados mostram uma leitura mais limitada em relação à trajetória anual da Embraer, especialmente por conta do impacto da sazonalidade e efeitos não recorrentes registrados.

 

Fonte: InfoMoney

Fonte: InfoMoney