O cenário de crise energética global pode estar próximo de um ponto de virada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã já têm “amplamente negociado” um memorando de entendimento para um acordo de paz.
O principal objetivo imediato é a reabertura do Estreito de Hormuz, uma via marítima crucial cujo fechamento disparou os custos globais de combustível, fertilizantes e alimentos desde o início do conflito em fevereiro.
Os pilares do “Acordo de Hormuz”
Segundo informações de bastidores e postagens de Trump em redes sociais, o acordo deve ser anunciado em breve e seguirá uma estrutura de implementação em fases:
- Cessação das hostilidades e logística: Fim formal da guerra de três meses, reabertura do Estreito de Hormuz e suspensão do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.
- Compromissos financeiros e de segurança: O Irã deve receber o desbloqueio de fundos congelados globalmente e a isenção de algumas sanções sobre o petróleo. Em troca, compromete-se a não realizar ataques preventivos e a nunca buscar armas nucleares.
- Questão nuclear: O destino do estoque de urânio enriquecido do Irã será negociado em uma janela de 30 a 60 dias após o início do cessar-fogo.
Impacto no Mercado de Energia
Embora a notícia traga alívio imediato aos mercados, a normalização total pode ser lenta. O chefe da estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC, alertou que o fluxo total de petróleo pelo estreito só deve ser restabelecido entre o primeiro e o segundo trimestre de 2027, mesmo que a guerra termine agora.
Pelo rascunho do acordo, o Irã teria permissão para vender petróleo livremente e não haveria cobrança de pedágios para navios que transitam pelo Estreito de Hormuz.
Obstáculos e diplomacia
Apesar do otimismo de Trump e do Secretário de Estado, Marco Rubio — que sugeriu a possibilidade de “boas notícias” em poucas horas —, ainda há cautela.
A agência de notícias iraniana Tasnim reportou que ainda restam divergências sobre cláusulas específicas e que o entendimento final depende da remoção de obstáculos por parte dos EUA.
No campo aliado, a recepção é mista. Enquanto líderes da Arábia Saudita, Catar e Turquia incentivaram o acordo, o político israelense Benny Gantz classificou como um “erro estratégico” aceitar um cessar-fogo que inclua a frente do Líbano, onde Israel combate o Hezbollah.
Por outro lado, Trump afirmou que sua conversa recente com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi “muito boa”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã reiterou que, embora as disputas tenham reduzido, a prioridade de Teerã é o fim das ameaças de novos ataques e a resolução do conflito no Líbano.
* Com informações da Reuters


