Dólar cai e fecha a R$ 5 com queda dos Treasuries e do petróleo

20 de maio de 2026 |
17:08
Imagem: iStock.com/MicroStockHub

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dólar à vista perdeu força ante o real com o alívio nos preços de petróleo e nos títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries. Após a ata do Comitê Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), a divisa apresentou pouca variação.

Nesta quarta-feira (20), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0034, com recuo de 0,74%.

O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,23%, aos 99.096 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

O mercado de câmbio seguiu de olho no noticiário político doméstico, digerindo o aumento da rejeição ao senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições presidenciais de outubro, na ata do Fomc e no conflito no Oriente Médio.

A ata da reunião de abril sobre política monetária do Federal Reserve mostrou que a maioria dos dirigentes do BC dos Estados Unidos prevê que seja necessário um aumento da taxa de juros caso a inflação continue persistentemente acima da meta de 2%.

O documento sinaliza que o novo chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, terá desafios com uma equipe de banqueiros centrais mais dura, ou hawkish, em inglês.

“Para abordar essa possibilidade, muitos participantes indicaram que teriam preferido remover a linguagem da declaração pós-reunião que sugeria um viés de flexibilização em relação à provável direção das futuras decisões do comitê sobre a taxa de juros”, mostrou a ata da reunião.

Além disso, a avaliação dos dirigentes do BC norte-americano é de que o cenário de incertezas geopolíticas e preços com viés de alta reforçam a necessidade de juros altos por mais tempo, o que é conhecido como “higher for longer”.

Em relação ao conflito no Oriente Médio, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã disse que 26 navios, incluindo petroleiros, navios porta-contêineres e outras embarcações comerciais, transitaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas em coordenação com o Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está nos “estágios finais” da negociação com o Irã, segundo a Bloomberg. A declaração foi feita a caminho de evento da Associação da Guarda Costeira dos EUA.

Os Treasuries recuaram na sessão de hoje, com destaque para o Treasury de 30 anos, que chegou ao maior patamar desde 2007 na véspera (19) diante dos temores inflacionários. O alívio de hoje acompanhou a perda de força da cotação do petróleo.

Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para julho fecharam com tombo de 5,62%, a US$ 105,02 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Na avaliação do especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o principal vetor de alívio do câmbio foi a queda expressiva nos rendimentos das Treasuries e nos preços do petróleo, que recuaram fortemente após declarações do governo americano sinalizando que um acordo de paz com o Irã estaria em estágio final, além da normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

“No cenário doméstico, esse ambiente de maior apetite por risco em mercados emergentes foi o suficiente para compensar o aumento do prêmio de risco político local, com os investidores monitorando de perto os desdobramentos eleitorais e os esforços dos pré-candidatos para restabelecer a confiança do mercado”, acrescenta Shahini.

 

Fonte: MoneyTimes
Fonte: MoneyTimes