Resultados que surpreenderam positivamente – ou que ao menos foram melhores do que o temido. Assim que os investidores leram os números do primeiro trimestre de 2026 da Hapvida (HAPV3), operadora de saúde que enfrenta forte volatilidade na Bolsa. Com isso, às 10h10 (horário de Brasília), os ativos subiam 9,62%, a R$ 12,54, para depois entrarem em leilão nesta terça-feira (12).
Na noite da última segunda-feira (11), a companhia divulgou lucro líquido ajustado de R$ 244 milhões no primeiro trimestre, queda de 41,4% sobre o desempenho registrado um ano antes.
O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado foi de R$ 803 milhões, o que representa uma queda de 20% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior. Analistas, em média, esperavam Ebitda de R$ 664 milhões para a Hapvida, segundo dados da LSEG.
O Ebitda ficou 14% superior à estimativa do Bradesco BBI e o lucro líquido ajustado foi de R$ 160 milhões, bem acima dos R$ 55 milhões projetados.
A receita cresceu 5,2% no comparativo anual, emlinha com o esperado, ainda refletindo um ritmo moderado. A base de beneficiários seguiu encolhendo, com perda líquida de 45 mil vidas no trimestre – embora uma melhora relevante frente à perda de 140 mil no 4T25 e à nossa expectativa de 70 mil.
Na visão do BBI, o principal destaque positivo veio da rentabilidade: a margem Ebitda ajustada avançou 3 pontos percentuais na comparação trimestral, alcançando 10,0%, impulsionada por uma forte redução de 3,3 ponto percentual (p.p.) na sinistralidade, para 72,2%, nível 1,8 p.p. melhor que o esperado. “A sinistralidade surpreendeu positivamente e sugere um desempenho até melhor que o do 1T25 quando excluídos os investimentos na rede própria ao longo de 2025”, avalia.
A companhia ainda destacou que, em março, a frequência de utilização superou as médias históricas, refletindo represamento de procedimentos eletivos no início do ano e maior incidência de doenças infecciosas, o que mantém o 2T26 no radar quanto a possíveis pressões. O fluxo de caixa livre ao acionista ficou próximo de zero (-R$ 3 milhões), impactado por um pagamento não recorrente de R$ 200 milhões relacionado ao acordo com o vendedor da NotreDame Intermédica, conforme já esperado.
Em relatório divulgado antes da abertura do mercado, o BBI apontou que a leitura geral do resultado é positiva e que deveria sustentar uma reação favorável do mercado.
Considerando uma margem Ebitda de 10% em 2026 (acima da projeção anterior do banco de 8,5%), estima um lucro líquido em torno de R$ 600 milhões, o que implica múltiplo de aproximadamente 9 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L), nível atrativo frente a pares do setor. No operacional, a receita segue crescendo em ritmo de um dígito médio, com aceleração do ticket médio (+7,3% em base anual) e desaceleração das perdas líquidas de vidas, ainda concentradas no estado de São Paulo e em planos individuais no Nordeste, parcialmente compensadas por adições no Rio de Janeiro.
“A expansão sequencial do Ebitda reforça a tese de que a companhia conseguiu capturar ganhos relevantes de eficiência via sinistralidade, embora o comportamento da sinistralidade no 2T26 mereça atenção, dado o aumento recente da frequência”, avalia.
Assim, o banco mantém visão construtiva sobre a tese, entendendo que a melhora operacional observada no trimestre aumenta a visibilidade sobre a trajetória de resultados à frente, com assimetria positiva caso a disciplina de custos médicos se mostre mais estrutural do que pontual. O BBI, contudo, segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 14 para os papéis.
O BTG Pactual também avalia que a Hapvida reportou um conjunto de resultados do primeiro trimestre acima do esperado, superando as suas expectativas reduzidas. No geral, considerando todos os fatores, o trimestre apresentou uma melhora inspiradora na base trimestral após um quarto trimestre bastante desafiador, com tendência mais favorável de sinistralidade e melhor geração de fluxo de caixa.
Ainda assim, alguns desafios permanecem, incluindo adições líquidas negativas, embora em ritmo menor versus o quarto trimestre, pressão persistente de judicialização, dinâmica fraca de receita líquida e despesas corporativas ainda elevadas. “Mais especificamente, a companhia reportou receita líquida de R$ 7,89 bilhões, alta de 5% ano a ano e 2% acima das nossas estimativas”, reforça. O Ebitda ajustado, excluindo R$12 milhões em itens não recorrentes, caiu 21% ano a ano para R$791 milhões, superando as expectativas reduzidas em aproximadamente 20%, impulsionado por sinistralidade melhor do que o esperado, levando a um aumento da margem Ebitda em 3 pontos percentuais ante o 4T25, para 10.
“Consideramos esse movimento particularmente interessante, dado que a sazonalidade entre o quarto e primeiro trimestre normalmente não apresenta diferenças materiais”, aponta. Ainda assim, a margem Ebitda ajustada permaneceu 3,4 pontos percentuais do nível observado há um ano. Já o prejuízo líquido contábil atingiu R$154 milhões, versus lucro líquido de R$ 54 milhões no primeiro trimestre de 2025.
A recomendação também é neutra, com preço-alvo de R$ 15. O BTG lembra que a Hapvida anunciou recentemente uma reorganização relevante da equipe de gestão, que acreditamos ser positivo para o processo de reestruturação. “Nesse sentido, entendemos que o primeiro trimestre mostrou sinais iniciais encorajadores, sugerindo que o ponto de partida da reestruturação pode não ser tão negativo quanto anteriormente temido”, avalia.
Os analistas reafirmam que a situação ainda permanece desafiadora, mas talvez menos severa do que os investidores passaram a precificar, o que naturalmente é positivo. Ainda assim, mantém a recomendação diante dos riscos de execução ainda relevantes e dos desafios operacionais persistentes, evidenciados pelas adições líquidas ainda negativas, margens pressionadas frente aos padrões históricos e indicadores de judicialização que continuam apontando desafios relevantes.
“Embora continuemos monitorando os próximos passos da reestruturação, preferimos não antecipar uma recuperação que ainda exige evidências mais consistentes. Considerando todos os fatores, entretanto, os resultados do primeiro trimestre devem ser interpretados como um destaque positivo na margem”, concluem.
Na mesma linha, o Morgan Stanley tem recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra), com preço-alvo menor, de R$ 10. Para o banco, o resultado também levaria a uma reação positiva, com os números superando as expectativas, impulsionado por uma taxa de juros mais alta do que o esperado, elevando os lucros acima das projeções. No entanto, fatores sazonais, tendências fracas de adesão e um fluxo de caixa livre para a base de clientes (FCFF) abaixo do previsto limitam a qualidade geral do resultado, apontam.
Fonte: InfoMoney


