Petróleo dispara e Brent sobe para máxima de quatro anos com escalada da guerra EUA-Irã

30 de abril de 2026 |
08:06
Imagem: REUTERS/Vasily Fedosenko

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Os preços do petróleo Brent saltaram para uma nova máxima de quatro anos nesta quinta-feira (30), diante de preocupações de que a guerra entre Estados Unidos e Irã possa piorar e levar a uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo do Oriente Médio, o que poderia prejudicar o crescimento econômico global.

Os contratos futuros do Brent avançavam US$ 3,71, ou 3,14%, para US$ 121,70 por barril às 5h18 (horário de Brasília) após atingirem a máxima intradiária de US$ 126,41, o nível mais alto desde 9 de março de 2022. O contrato de junho, o mais próximo do vencimento e em alta pelo nono dia, expira nesta quinta-feira.

Os futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiam US$ 1,33, ou 1,24%, para US$ 108,20 por barril, o maior nível desde 7 de abril, ampliando um ganho de 7% na sessão anterior.

O Brent mais que dobrou no acumulado do ano, enquanto o WTI avançou cerca de 90%.

Ambos os referenciais caminham para o quarto mês consecutivo de ganhos, refletindo temores de que o conflito com o Irã possa estrangular a oferta global de petróleo por meses, alimentando a inflação e elevando os riscos de uma desaceleração econômica mundial.

O presidente dos EUA, Donald Trump, deve receber nesta quinta-feira um briefing sobre planos para uma série de ataques militares contra o Irã, na esperança de levá-lo de volta às negociações sobre seu programa nuclear, segundo uma reportagem do Axios divulgada na noite desta quarta-feira (29).

EUA e Israel iniciaram ataques aéreos contra o Irã em 28 de fevereiro, e o país respondeu fechando quase todo o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, um ponto crítico para o fornecimento de energia de produtores do Oriente Médio. Em meio a um cessar-fogo que suspendeu os combates, os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos.

As negociações para resolver o conflito, que já matou milhares e causou o que analistas consideram a maior interrupção energética da história, estão travadas: os EUA insistem em discutir o suposto programa de armas nucleares do Irã, enquanto o Irã exige algum controle sobre o estreito e reparações pelos danos da guerra.

“As perspectivas de uma resolução no curto prazo para o conflito com o Irã ou de reabertura do Estreito de Ormuz permanecem fracas”, disse o analista de mercado da IG, Tony Sycamore, em nota.

Como sinal de que o conflito e as interrupções no fornecimento de energia devem continuar por mais tempo, Trump conversou ontem com empresas de petróleo sobre como mitigar o impacto de um possível bloqueio americano de meses, segundo um funcionário da Casa Branca.

“No curto prazo, os participantes do mercado permanecem focados na dinâmica do conflito entre EUA e Irã e no risco de um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz”, disse Kelvin Wong, analista sênior de mercado da OANDA.

“Esse foco atualmente supera as implicações de longo prazo da possível redução da influência da Opep+ após a saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel.”

O grupo Opep+, formado por membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, provavelmente concordará com um pequeno aumento de cerca de 188 mil barris por dia nas cotas de produção no domingo, disseram fontes à Reuters na quarta-feira.

A reunião ocorre logo após a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep, efetiva a partir de 1º de maio, o que deve enfraquecer a capacidade do grupo de produtores de controlar os preços. Embora a saída do país do Golfo permita aumentar a produção após a retomada das exportações, analistas afirmam que isso dificilmente afetará os fundamentos do mercado neste ano, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz e outras interrupções causadas pela guerra.

Analistas agora consideram a destruição da demanda por petróleo como a forma mais provável de aliviar a atual situação de oferta restrita.

Analistas do ING estimam uma perda de cerca de 1,6 milhão de barris por dia na demanda, à medida que consumidores e usuários finais simplesmente deixam de utilizar produtos derivados de petróleo em alguma medida devido aos altos preços.

Embora significativo, “claramente não é suficiente para preencher a lacuna de oferta que enfrentamos atualmente”, afirmaram os analistas em nota.

 

 

Fonte: MoneyTimes

Fonte: MoneyTimes