Brasil acusa EUA de violar soberania e chama prisão de Maduro de “sequestro” na OEA

6 de janeiro de 2026 |
15:25
Imagem: Reuters

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O Brasil endureceu o tom contra a operação dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nesta terça-feira (6), o embaixador Benoni Belli afirmou que a ação equivale a um “sequestro” e rompe limites considerados essenciais do direito internacional.

Segundo o diplomata, os bombardeios realizados em território venezuelano e a retirada forçada de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, configuram uma afronta direta à soberania do país e ameaçam a estabilidade regional.

Belli avaliou que o episódio reabre feridas históricas na América Latina, ao remeter às intervenções conduzidas por Washington ao longo do século 20.

O representante brasileiro argumentou que a operação contraria normas centrais do sistema multilateral, ao ferir tanto a Carta das Nações Unidas quanto compromissos firmados no âmbito hemisférico.

 

 

Ele citou a resolução 297 de 2025 da Comissão Jurídica Interamericana, que reforça a proibição do uso da força entre Estados, exceto nos casos expressamente previstos pela ONU.

Na fala, o embaixador sustentou que a crise venezuelana só pode ser equacionada por meio de um processo político interno, conduzido pelos próprios venezuelanos.

Para ele, intervenções externas corroem o edifício multilateral e colocam em risco não apenas a autonomia dos países, mas também a dignidade nacional. Belli afirmou ainda que o Brasil pretende atuar para preservar a tradição regional de solução pacífica de conflitos.

A operação norte-americana ocorreu no sábado (3) e levou Maduro e Cilia Flores para Nova York, onde respondem a acusações de narcotráfico. Na segunda-feira (5), o ex-presidente se declarou inocente diante da Justiça dos Estados Unidos.

O episódio provocou reações imediatas no cenário internacional, com críticas abertas de países da América do Sul e também de potências como Rússia e China à intervenção militar.

Fonte: InfoMoney